ABISMO EMOCIONAL

Abismo Emocional

Gustavo chegou atrasado, foi logo se desculpando. Meio sem jeito pediu um copo de água e sem rodeios ou meias palavras iniciou sou relato sobre sua filha mais velha. Treze anos na adolescência, com reações normais de uma menina de sua idade.

O primeiro encontro em meus acentos decorreu sobre a filha adolescente, dificuldades na rotina, cansaço no trabalho, e muita conversa “afiada”.  No segundo encontro os mesmo relatos, porém no meio do segundo copo de água senti a ansiedade tomar conta de Gustavo, o que realmente o trazia aqui estava batendo na porta. Até o momento suas histórias eram vazias de emoções, cheias de assertividade e racionalidade. No terceiro encontro antes do primeiro copo de água senti a frieza e a angustia no momento em que tocou em meus acentos.

Gustavo “engolia seco”, suas mãos estavam frias, perna tremula e uma agitação fora de comum. Começou a discursar sobre o dia no trabalho e logo indagou:

“O que me traz aqui mesmo é a minha vontade de não ser mais assim”.

Quando continuou, Gustavo como muita dificuldade, relatou que não consegue expressar afeto, que se sente “diferente” e isso lhe traz problemas em seus relacionamentos no dia-a-dia e em seu casamento. Prosseguiu dizendo que sua esposa por inúmeras vezes já o rotulou de insensível e frio.

“Eu sinto, chego a carrega um sentimento muito forte em meu intimo, mas não sei expressar este sentimento, por vezes me sinto até infantil”.

Nesse momento um novo sentimento invadiu meus tecidos, sentimento fora do comum, pois estou acostumado com; solidão, vazios, carências, angustias sentimentos digamos “corriqueiros” presente em meu dia-a-dia. Porém o sentimento de Gustavo era diferente, algo que depois de algum tempo chamei de abismo, proveniente talvez de um ou mais dos sentimentos “corriqueiros”.

Nossos encontros eram permeados por este abismo, Gustavo, homem bem articulado, executivo de sucesso, família bonita na foto e dentro do peito um abismo. Uma ferida que demorou meses e muita dedicação para o inicio da compreensão. Trabalho árduo e emocionalmente desgastante. Trabalho que em meio aos meus tecidos cinza, expressou suor, lágrimas, rugas e sorrisos. O mais interessante e bonito de se observar foi que, em momento algum Gustavo se quer pensou em “desistir”, apesar das dores, das visitas à infância, do relacionamento abusivo de seu pai, a ausência da compreensão de afeto de sua mãe e a pouca habilidade em relacionar-se com amigos e namoradas na adolescência, Gustavo comprometeu-se consigo mesmo e não se permitiu parar, descansar ou se entregar.

Pouco a pouco seu comprometimento, sua determinação foram invadindo meus acentos e o seu abismo. A cada encontro o conjunto de sentimento que o distanciava de sua filha, sua esposa, sua mãe e seu pai ganharam pontes, lindos acessos a sentimentos trancafiados e escondidos. Emoções das qual Gustavo nunca imaginou vivenciar.

Gustavo de olhar tão tênue e coração tanto duro derreteu seu coração e transbordou o seu olhar.

Vestido Branco e Cabelos Vermelhos

 

ruiva

Catarse: Provocar em outra pessoa de forma controlada, o despertar de emoções contidas e onitidas, que precisam ser despertas e expostas, para liberação de bloqueios emocionais.

 Gabriela chegou numa manhã ensolarada. Seu lindo sorriso trazia o sol para dentro da sala e suas emoções mais intimas esquentavam meus acentos. Mulher de sorriso tímido, olhar místico, dona de uma suavidade que escondia o furação que a enchia de vida. Assim Gabriela veio ao meu encontro, sem saber utilizar o que havia de melhor; seu poder de transmutação. Continue lendo Vestido Branco e Cabelos Vermelhos

Aperte o “PLAY”!

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“Boa tarde, como vai?” Disse George ao entrar na sala e sentar-se em meus acentos. Alto, esguio, elegante, com um charme natural. Iniciou seu discurso sobre o quanto era “mal compreendido” pelas pessoas as sua volta. Chefe, colegas de trabalho, familiares, filhos e amigos. Em todas as vezes que George vinha ao meu encontro uma situação conflituosa onde os que estavam ao seu redor entravam em conflito com George. Continue lendo Aperte o “PLAY”!

Paixão, amor e nudez!

 

Ana Beatriz e Thiago se conheceram na infância, estudaram na mesma sala por anos, muitos olhares, alguns esbarrões nos corredores e grandes descobertas. Começaram a namorar, ambos 16 anos, primeira paixão! Ah… o calor da adolescência. Entre hormônios agitados, festinhas na garagem e cineminha de domingo à tarde o inicio da fase adulta. Ingresso na faculdade ela Jornalismo ele Química. Continue lendo Paixão, amor e nudez!

Uma doce guerreira…

bolo

Dona Fátima 72 anos de sabedoria. Alegre, sorridente, como de costume trouxe um bolo, colocou sobre a mesa da copa. Um pouco mais cedo havia ido à sua aula de Yoga, hoje uma rotina em sua vida. Foi para sala e encontrou-me. Ah que felicidade! Em encontros anteriores sempre senti sua alegria, sentimento fácil de reconhecer em Dona Fátima pelo seu belo sorriso, hoje mais fácil do que em outros tempos. Continue lendo Uma doce guerreira…